Resumo
Introdução: O excesso de consumo de
sal em Portugal é postulado há várias décadas, com base na elevada
prevalência de HTA e de acidentes vasculares cerebrais. No nosso país
são escassos os estudos populacionais que avaliem o consumo de sal
através da determinação da excreção de sódio na urina de 24 horas e,
mais raros ainda, ou inexistentes, estudos que definam os padrões
alimentares para diferentes níveis de excreções urinárias de sódio.
Objectivos: Determinar os padrões alimentares associados à
excreção de diferentes níveis diários de sódio urinário em doentes
hipertensos. Metodologia: No presente estudo participaram 154
hipertensos (89 mulheres e 65 homens), com idade média de 50,8 anos.
Todos os indivíduos recolheram uma amostra de urina de 24 horas para
determinação da excreção de sódio (EUNa) e foram submetidas a um
questionário estruturado, para recolha de dados clínicos, e a um
questionário semi-quantitativo de frequência alimentar. Os sujeitos
foram agrupados de acordo com os valores de distribuição por tercis de
EUNa. Para cada género, a análise dos padrões alimentares nos tercis de
EUNa (em bruto e ajustada ao consumo calórico) foi feita a partir de
grupos de alimentos definidos com base nas suas semelhanças nutricionais
e aporte de sódio, através de um modelo de análise linear multivariada.
Resultados: A média de EUNa foi de 204,8 ± 74,6 mmol/dia
(mulheres: 194,7 ± 67,0mmol/dia; homens: 218,9 ± 82,7 mmol/dia; p
<0,05). Este valor corresponde a uma média de 12,3 g de cloreto de
sódio. Nos diferentes tercis os valores obtidos foram: EUNaT1 –
mulheres: 128,0 ± 20,7mmol/dia; homens: 124,7 ± 28,5 mmol/dia; EUNaT2 –
mulheres: 165,7 ± 23,4 mmol/dia; homens: Avaliação dos padrões
alimentares determinantes dos níveis diários da excreção urinária de
sódio em doentes hipertensos 201,4 ± 22,1 mmol/dia; EUNaT3 – mulheres:
282,7 ± 33,8 mmol/dia; homens: 292,7 ± 61,3 mmol/dia (p <0.05). A
estimativa média de ingestão de sódio foi de 3917,1 ± 1087,8 mg/dia
(valores ajustados às calorias - mulheres: 3978,2 ± 66,1 mg/dia; homens:
3833,5 ± 78,5 mg/dia; p <0,05). O EUNa apresentou uma associação fraca e
significativa com o sódio estimado no conjunto da população estudada
(r=0,170; p <0,035) e na análise por sexos. Na análise dos padrões
alimentares verificamos que, entre as mulheres, o padrão alimentar do
EUNaT1 caracteriza-se por um consumo maior de: Leite e iogurtes, Ovos,
Moluscos/Crustáceos/Mariscos, Fruta fresca e de conserva, Doces e Fast
food; e um menor consumo de: Carnes Vermelhas, Produtos de charcutaria,
Gorduras, Pães, Acompanhamentos e Frutos secos. O padrão alimentar das
mulheres EUNaT2 caracteriza-se por um menor consumo de: Queijo, Produtos
de charcutaria, Batatas fritas e Leguminosas; e um maior consumo de:
Frutos secos e Flocos e bolachas. As mulheres do grupo EUNaT3 têm um
padrão alimentar com um maior consumo de alimentos de: Queijo, Carnes
vermelhas, Produtos de charcutaria, Gorduras, Pães, Acompanhamentos,
Batatas fritas, Leguminosas; e menor consumo de: Leite e iogurtes, Ovos,
Moluscos/Crustáceos/Mariscos, Flocos e bolachas, Doces, Fruta fresca e
de conserva e Fast food. Em relação aos homens, o grupo EUNaT1
caracteriza-se por um maior consumo de Fast Food e menor consumo de
Queijo, Carnes vermelhas e Carnes brancas, Produtos de charcutaria,
Flocos e bolachas, Batatas fritas e Doces. Os homens do grupo EUNaT2 têm
um maior consumo de Leite e iogurtes, Carnes vermelhas e Carnes brancas
e menor consumo de Pão, Refrigerantes e Cerveja. Os homens EUNaT3
apresentam um maior Avaliação dos padrões alimentares determinantes dos
níveis diários da excreção urinária de sódio em doentes hipertensos
aporte de Queijo, Produtos de charcutaria, Pães, Flocos e bolachas,
Batatas fritas, Doces, Refrigerantes e Cerveja e um menor consumo de
Fast Food
Conclusão: A partir do presente estudo constatamos que o sal
consumido tem origem directa em alimentos intrinsecamente ricos em sal,
bem como no contributo do sal adicionado na confecção de alimentos.
Estes dados podem ser o início de uma orientação em termos de padrões de
consumo, que é necessário conhecer melhor, a nível nacional. A partir
desse conhecimento poder-se-á traçar uma intervenção de Saúde Pública,
com envolvimento governamental, científico e industrial, e que conte com
estratégias de construção de sistemas de informação, promoção e educação
para a saúde, regulamentação, fiscalização e negociações permanentes com
os intervenientes com o objectivo de diminuir o consumo de sal em
Portugal.
Índice
Lista de Abreviaturas
1. Introdução
2. Especificidades da HTA
2.1. O papel do sódio no controlo da PA
2.2. Patofisiologia
2.3. Epidemiologia
2.4. O sal como determinante
3. Objectivos
4. Metodologia
4.1. Selecção e descrição dos
participantes
4.2. Recolha de informação
4.3. Informatização da informação
4.4. Análise estatística
5. Resultados
5.1. Características socio9demográficas e
comportamentais
5.2. Sódio urinário
5.3. Ingestão de sódio
5.4. EUNa e antropometria
5.5. EUNa e consumo energético
5.6. EUNa e grupos de alimentos
5.7. Local das refeições
6. Discussão
7. Conclusões
Referências bibliográficas
ResumoPortugues
ResumoIngles
Dissertação